
Atualizado em: 16/01/2026
Utilizando de maneira correta a corrente e o mosquetão
Um mosquetão de 23 kN é projetado e ensaiado especificamente para suportar tração elevada (na ordem de mais de 2.000 kgf), enquanto um cadeado LT 45 é um dispositivo de fechamento sem classificação estrutural para ancoragem, portanto não deve ser usado como elo de segurança da corrente do reboque. A diferença não é só de "quantos quilos aguenta", mas de projeto, certificação e modo como cada um responde a esforços dinâmicos típicos de uma carretinha em movimento.
Carretinha rebocando um jet ski de 380 kg, mais peso da própria carreta e eventual carga extra, facilmente ultrapassa meia tonelada de massa em movimento. A corrente de segurança serve como redundância caso a esfera de 50 mm se rompa ou a munheca se solte, devendo manter o reboque conectado ao carro em uma situação de emergência, muitas vezes com trancos e desacelerações bruscas.
O cadeado LT‑45 (Pado) é um cadeado de latão de 45 mm, com haste em aço, desenvolvido para proteção patrimonial (portões, correntes, travas em geral), sem especificação de carga de ruptura para uso estrutural.
As fichas comerciais destacam material (latão maciço, haste em aço) e dimensões, mas não informam resistência à tração, fator de segurança ou certificação para ancoragem, o que indica que não foi projetado para receber grandes esforços dinâmicos como em um reboque em movimento.
Um mosquetão de 23 kN (aço ou alumínio, com trava) é um conector destinado a sistemas de ancoragem, escalada, trabalho em altura e proteção contra quedas, com carga de ruptura declarada em torno de 23 kN, equivalente a aproximadamente 2.300–2.400 kgf em tração no eixo principal.
Esses mosquetões seguem normas técnicas (por exemplo EN 362, EN 12275, UIAA, CE), que definem ensaios de ruptura, resistência em diferentes direções (fechado, aberto, lateral) e fator de segurança adequado para suportar choques e cargas variáveis.
O mosquetão 23 kN tem sua resistência mínima declarada e testada em laboratório, sabendo‑se claramente que suporta algo na ordem de mais de 6 vezes o peso do seu conjunto (carreta + jet ski de cerca de 380 kg), considerando tração no eixo correto.
Já o cadeado LT 45, por não ter carga de ruptura informada, pode até resistir a alguns centos de quilos em tração estática, mas não há garantia sobre o quanto suporta em trancos, vibrações e forças de arrancamento oblíquas. A haste pode se abrir ou romper de forma imprevisível, tornando o conjunto inseguro como elemento crítico de retenção.
A legislação de reboques exige o uso de corrente de segurança ligando o reboque ao veículo rebocador, geralmente presa com elemento mecânico robusto (parafuso, porca, dispositivo de acoplamento adequado), justamente para garantir que, na falha da esfera ou da munheca, o reboque não se desprenda completamente.
Nessa função, um mosquetão de aço com trava e carga de ruptura declarada (23 kN) é muito mais adequado do que um cadeado de uso geral, pois foi desenhado para ancoragem e para suportar cargas bem definidas. Ainda assim, a melhor prática é usar componentes aprovados para uso automotivo/náutico e certificados, evitando improvisos em um sistema que envolve segurança em rodovias.
O cadeado pode ser utilizado para dificultar ou retardar o roubo da carretinha, contudo não deve ser usado como sistema de fixação. Para essa função crítica de segurança, deve-se utilizar o mosquetão.
Instalação correta: Passe a corrente por dentro do alojamento fixo no carro e, na volta desta corrente em direção à carretinha, conecte-a na corrente que está vindo da carretinha usando o mosquetão de 23 kN. Esta configuração garante que, em caso de falha do engate principal, a corrente mantenha o reboque preso ao veículo com segurança adequada.
Caso você pare em algum lugar e tenha receio do roubo da carretinha, pode conectar também um cadeado entre outros elos da corrente como medida adicional de proteção patrimonial — mas lembre-se: o mosquetão é o elemento estrutural de segurança, não o cadeado.
Rodrigo Spinola - Mais de 600 horas navegando de Jet Ski desde 2021. Passeios por vários Estados do Brasil: entre eles SP, RJ, MS, PR, SC e em outros Países como: EUA, Bahamas, Paraguai. Também realizou Expedições de vários dias entre as Nacionais: SP-RJ, SP-PR, SP-MS, SP-SC e as Internacionais: Brasil-Paraguai, EUA – Bahamas onde saiu de Miami e passou 15 dias navegando nas Bahamas. Compartilha no Mundo Jet Ski tudo sobre manutenção, segurança e aventuras aquáticas.